O atendimento no consultório começa por uma entrevista com os pais/responsáveis. É importante que ambos compareçam para que se possa compreender suas preocupações, bem como os esforços que já foram realizados na tentativa de resolver o problema.
A segunda entrevista (ANAMNESE) consiste em um histórico do desenvolvimento geral do paciente, desde o nascimento até o momento de realização desta entrevista
Esta etapa consta de uma série de sessões com o paciente, sendo que o número delas é determinado por alguns fatores considerados essenciais, como o RITMO de trabalho de cada um, a CONDUTA do paciente no espaço clínico, o DESEJO DE COOPERAR na aceitação e realização das atividades propostas.
Os OBJETIVOS da avaliação preliminar são estabelecidos juntamente com o paciente, logo nos primeiros contatos.
Por se tratar de um PSICODIAGNÓSTICO INTERVENTIVO E DINÂMICO, ele difere de uma avaliação tradicional que se caracteriza pela observação e registro das respostas – certas ou erradas. Este procedimento tem em vista conhecer e compreender o PROCESSO DE PENSAMENTO DO PACIENTE, ou seja, o seu FUNCIONAMENTO MENTAL: seus RECURSOS COGNITIVOS, METACOGNITIVOS E AFETIVO-EMOCIONAIS que caracterizam o seu POTENCIAL DE APRENDIZAGEM.
Trata-se de uma AVALIAÇÃO QUALITATIVA, uma vez que o paciente é estimulado a JUSTIFICAR a sua resposta, apresentando as ESTRATÉGIAS DE PENSAMENTO que o conduziram a um determinado resultado. Quando a inadequação da resposta é percebida pelo examinando, lhe é dada a oportunidade de REORGANIZAR o seu raciocínio.
É importante destacar que é este movimento de resgatar o raciocínio realizado e tentar reorganizá-lo, a partir do uso de novas estratégias, que é capaz de gerar MUDANÇAS COGNITIVAS (descobertas) e COMPORTAMENTAIS (novas atitudes diante de situações que desafiam o pensamento) – sendo, portanto, o que caracteriza a natureza qualitativa desta avaliação.
A AVALIAÇÃO PRELIMINAR nos fornece dados importantes para se conhecer a SUBJETIVIDADE de cada paciente – seu modo de ser, de sentir, de reagir, de enfrentar os desafios que lhe são propostos e seu ESTILO DE APRENDER.
Os testes e as atividades específicas são selecionados, baseados na idade do paciente, de acordo com o quadro de dificuldades apresentado pelos responsáveis e pelas observações que são realizadas no decorrer das sessões e, portanto, adaptados às necessidades de cada um.
TUDO ISSO TEM POR OBJETIVO PRINCIPAL, IDENTIFICAR AS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DE CADA UM (PONTOS FORTES), BEM COMO SUAS VULNERABILIDADES (ÁREAS DE MENOR DESENVOLVIMENTO).
As diversas ÁREAS DO DESENVOLVIMENTO que podem ser investigadas em uma testagem são as que seguem no quadro:
Provas Operatórias de Piaget
FALA
• EXPRESSÃO ORAL
• RACIOCÍNIO VERBAL
LEITURA
• VELOCIDADE
• FLUÊNCIA
• COMPREENSÃO LEITORA
ESCRITA
• CALIGRAFIA
• ORTOGRAFIA
• PRODUÇÃO TEXTUAL
ORGANIZAÇÃO PERCETIVO MOTORA
RACIOCÍNIO
LÓGICO-MATEMÁTICO
• CONSTRUÇÃO DE CONCEITOS
• CÁLCULOS
• RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS
• VISOMOTORAS
• ORGANIZAÇÃO ESPACIAL
• ORGANIZAÇÃO TEMPORAL
• COORDENAÇÃO GLOBAL E FINA
• RECONHECIMENTO ESQUERDA-DIREITA
HABILIDADES SOCIAIS
ASPECTOS AFETIVO-EMOCIONAIS
FUNÇÕES EXECUTIVAS
• ATENÇÃO
• PLANEJAMENTO
• MEMÓRIA
• CONTROLE DA IMPULSIVIDADE, ETC.
Condutas e respostas adaptativas aos diversos ambientes em que o paciente está inserido
TESTES PROJETIVOS
• DESENHOS
• ELABORAÇÃO DE HISTÓRIAS
• OBSERVAÇÕES DO PACIENTE NO ESPAÇO CLÍNICO
As observações importantes verificadas, a cada sessão, são colocadas e discutidas com o paciente e sintetizadas, de forma abrangente, na etapa final da avaliação. Este procedimento contribui para a tomada de consciência dos aspectos que devem ser trabalhados e superados, estabelecendo-se, em conjunto, a definição de metas a serem alcançadas.
Apresentação dos resultados da avaliação preliminar, incluindo o plano de TRABALHO TERAPÊUTICO e as metas a serem alcançadas, além do FEEDBACK por parte da escola sobre as observações feitas pelos professores.
Apresentação de todos os dados coletados e orientação específica à família para se discutir as melhores estratégias a serem adotadas na relação com a criança ou adolescente.