Déficits Atencionais

A intervenção terapêutica relacionada aos DÉFICITS ATENCIONAIS

POR QUE É IMPORTANTE INTERVIR
NO DÉFICIT ATENCIONAL
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE?

O que é atenção? E o que é déficit de Atenção?

          A HABILIDADE DE PRESTAR ATENÇÃO é um importante aspecto do processo de APRENDIZAGEM que tende a aumentar no decorrer do desenvolvimento do indivíduo.

          MOTIVAÇÕES  e ESTADOS EMOCIONAIS exercem influência significativa na utilização de RECURSOS DE ATENÇÃO. Quanto maior o interesse, MAIS ATENÇÃO será direcionada a uma determinada situação.

          O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) se caracteriza pela presença de SINTOMAS TÍPICOS – de DESATENÇÃO, HIPERATIVIDADE e IMPULSIVIDADE– que ocorrem de forma PERSISTENTE, por pelo menos seis meses contínuos. Muitas vezes, aparecem ainda na infância, nos primeiros anos de vida, mas se mostram de forma mais INTENSA em torno dos 6-7 anos.

          Os SINTOMAS TÍPICOS do TDAH devem ocorrer em pelo menos dois ambientes distintos, tais como casa e escola, e apresentar um PADRÃO DE DESATENÇÃO, HIPERATIVIDADE e IMPULSIVIDADE mais frequente e mais acentuado, quando comparado a outras crianças com nível equivalente de idade e fase do desenvolvimento.

          Isso quer dizer que se torna necessário distinguir este PADRÃO FUNCIONAL do de outras crianças agitadas, por vezes desatentas e cheias de energia, cujos comportamentos são naturais da infância, mas que NÃO TRAZEM PREJUIZO à vida PESSOAL, ESCOLAR e FAMILIAR da criança.

          Portanto, NEM TODA DESATENÇÃO E/OU INQUIETAÇÃO ESTÃO ASSOCIADOS AO TDAH, sendo fundamental diferenciar este transtorno de outras condições psíquicas que apresentam sintomas semelhantes.

          Além disso, é importante destacar que FLUTUAÇÕES destes sintomas, que variam com períodos assintomáticos, não são característicos do TDAH.

          Uma HIPÓTESE DIAGNÓSTICA do TDAH pode ser levantada por um profissional que esteja acompanhando e observando as características comportamentais de uma criança / adolescente, podendo ser um professor, um psicólogo, psicopedagogo, neuropsicólogo, fonoaudiólogo, entre outros.

          Já o diagnóstico do TDAH só pode ser concluído por um MÉDICO ESPECIALISTA das áreas da PSIQUIATRIA, NEUROLOGIA, NEUROPEDIATRIA, pois se trata de um TRANSTORNO DO NEURODESENVOLVIMENTO associado a PROVÁVEIS FATORES GENÉTICOS e AMBIENTAIS.

         No TDAH, os SINTOMAS TÍPICOS de DESATENÇÃO, HIPERATIVIDADE/IMPULSIVIDADE – persistentes em grau excessivo – podem se manifestar com PREDOMÍNIO de um ou outro, ou combinados. São atribuídos por vários pesquisadores de diversos países, a uma predisposição GENÉTICA, BIOLÓGICA relacionada a PROVÁVEIS ALTERAÇÕES NEUROQUÍMICAS do CÉREBRO. Tais alterações afetam as FUNÇÕES EXECUTIVAS, ou seja, o conjunto de HABILIDADES COGNITIVAS necessárias para aprender e realizar diversas atividades diárias com eficácia.

          Uma característica importante do TDAH é a DISFUNÇÃO EXECUTIVA, que compromete ÁREAS COGNITIVAS como, por exemplo: a ATENÇÃO SELETIVA, a MEMÓRIA de TRABALHO e o CONTROLE INIBITÓRIO – o qual permite controlar impulsos, pensamentos, emoções e comportamentos inadequados, entre outros.

          Os problemas ocasionados por essa DISFUNÇÃO se refletem no contexto escolar, ocasionando dificuldades de aprendizagem em diversas áreas e baixo rendimento escolar, bem como nas relações interpessoais, nos âmbitos social e familiar.

          Os comportamentos MAIS FREQUENTES observados nos portadores de TDAH consistem nas principais QUEIXAS apresentadas por pais (ou responsáveis) e pelos professores, sendo que algumas delas estão listadas abaixo, a título de exemplos:

  •  Dificuldade em manter o FOCO em tarefas específicas.

  •  Dificuldade para seguir REGRAS, COMBINADOS e aceitar LIMITES.

  • INTERROMPER frequentemente o que faz, NÃO LEVANDO A TAREFA A TERMO.

  • Dificuldade em GERENCIAR TAREFAS e tomar DECISÕES.

  • Dificuldade em seguir diversos COMANDOS SEQUENCIADOS.

  • DISTRAIR-SE facilmente com ESTÍMULOS DO AMBIENTE, não relacionados à tarefa.

  • AGITAÇÃO MOTORA E INQUIETAÇÃO, não permanecendo sentado no mesmo lugar durante a atividade e/ou AGITAÇÃO DE MÃOS E PÉS. No adolescente, em geral, a hiperatividade tende a mostrar-se fisicamente reduzida, podendo ser interpretada, mais frequentemente, como SENSAÇÕES SUBJETIVAS DE INQUIETAÇÃO.

  • Dificuldade para ESPERAR A SUA VEZ, interrompendo conversas em andamento, devido ao baixo controle da ansiedade.

  • Tendência a dar RESPOSTAS IMPULSIVAS, sem pensar, ou antes da pergunta ser terminada.

  • DESORGANIZAÇÃO.

  • RESISTÊNCIA a atividades que exigem ESFORÇO MENTAL.

  • Dificuldade para GERENCIAR O TEMPO e se ADAPTAR A MUDANÇAS de atividade.

    A IDENTIFICAÇÃO PRECOCE do paciente portador do TDAH é importante para que ele seja atendido, a tempo e adequadamente, a fim de REDUZIR OS PREJUIZOS observados e clinicamente significativos, possibilitando que novas aprendizagens ocorram.

     O tratamento do TDAH envolve intervenções em áreas essenciais, como:

  • PSICOPEDAGÓGICA

  • PSICOTERAPÊUTICA

  • MÉDICA – se for recomendado o uso de medicamento.

  • ORIENTAÇÃO PARENTAL – específica para auxiliar a família, quanto à compreensão do transtorno e técnicas para manejar os sintomas no ambiente familiar.

  • ORIENTAÇÃO À ESCOLA – especificamente aos professores, quanto à compreensão do transtorno e técnicas para manejar os sintomas no ambiente escolar.